domingo, 19 de novembro de 2017

"Dark Places" de Gillian Flynn

Esta é a minha segunda incursão no mundo dos thrillers da escritora Gillian Flynn. Escolhi este livro numa altura em que se torna complicado para mim ler VS ver séries televisivas. Este ano, para mal do registo do Baú dos Livros, devo ter visto mais séries do que lido livros. Não é que sejam actividades equiparáveis, mas ambas ocupam tempo livre. 

"Dark Places" ("Lugares Escuros", em português) conta-nos a história de Libby Day, uma jovem adulta de 30 anos que viu a sua infância interrompida, quando o seu irmão mais velho assassinou a sua mãe e duas irmãs. Libby, com menos de seis anos de idade, foi a única sobrevivente, testemunhando contra o irmão e passando os 24 anos seguintes a viver à custa de donativos, num estado depressivo e de auto-comiseração irritante. O fim do dinheiro que a suportou e a necessidade de arranjar um emprego, levam-na a um estado de desespero tal, que Libby recorre a todos os meios para ganhar dinheiro, que não impliquem mexer uma palha. É assim que se vê num clube de nerds que tentam desvendar crimes misteriosos e o seu testemunho e a culpabilidade do seu irmão são colocados em causa. 

Libby é levada de volta até aos "lugares escuros" das suas memórias e tudo o que se passou naquela noite é colocado em causa. 

Este livro é narrado na primeira pessoa e isso só ajuda a que o leitor antipatize imediatamente com a personagem principal. Libby Day é fraca e isso intrigou-me logo desde o inicio. É raro o livro em que o escritor escolhe para papel principal alguém com quem é fácil antipatizar e duvido que o faça sem uma intenção. Quem leu "Gone Girl" ("Em Parte Incerta), sabe que Flynn nunca faz nada sem intenção. A questão é quando é que essa intenção se converte em frutos.

É difícil ultrapassar o alcançado com "Gone Girl". Tanto o livro, como o filme foram geniais. Este Dark Places apesar de menos surpreendente, continua a manter a linha do intrigante bem marcada e gostei bastante da forma como a autora trabalhou as diferentes personagens, dotando cada uma de uma personalidade que justifica cada acção/reacção. 

Não decepcionou. 

domingo, 29 de outubro de 2017

A arte de não me sujar na lama

Tenho andado a treinar o acto de conseguir não me meter em discussões online. É mais fácil do que pensam. Basta não argumentar durante 10 minutos, ignorar o assunto e pronto, estamos safos! Poupa-se tempo e poupa-se o teclado.

Não deixa no entanto de ser frustrante, ou mesmo cansativa, esta necessidade constante de ter uma opinião sobre tudo. É quase como se fosse crime não opiniar, não defender um ponto de vista. É vergonhoso não ter uma opinião.

Pois bem, eu não tenho opinião sobre o que se passa na Catalunha. Já disse. Não me sinto equipada, intelectualmente, ou mesmo culturalmente, para formar uma opinião. Em relação aos incêndios, por exemplo, já tenho uma opinião. Mas é a opinião de muita gente. O que é que eu ganho ao partilhá-la na secção de comentários do facebook do Público? 

Nada pessoal! N-A-D-A. Por isso parem de competir acerca de quem tem razão sobre tudo!






quarta-feira, 25 de outubro de 2017

"Swing Time" - Zadie Smith

Tenho uma opinião pouco clara acerca deste livro. Acho que por isso é que tenho andado a adiar a escrita da mesma...

"Swing Time" da escritora Zadie Smith foi uma sugestão que desencantei do site "Man Repeller". Comprei o livro, coisa que é muito raro acontecer, e li-o numa semana. A verdade é que está muito bem escrito e, embora não exista um enredo muito promissor, conseguiu cativar-me em cada página. 

A protagonista (narradora sem nome) é uma rapariga de origem negra, que renuncia, sem tentar, a todos os seus sonhos e vive na sombra das outras pessoas, deixando a vida levá-la para onde calha. Esta rapariga tem uma melhor amiga de infância - Tracey. Ambas adoram dança, mas só Tracey tem talento. A protagonista acaba por viver sempre na sua sombra e à medida que vão crescendo, vão se afastando. Já em adulta, a narradora vai trabalhar para Aimee, uma celebridade americana de origem branca, cheia de boa intenções e caridade, que decide abrir uma escola para raparigas na Nigéria. É na sombra desta personagem que a protagonista se refugia durante vários anos.

Este livro explora várias questões associadas à raça, à classe social, ao individualismo, ao capitalismo e ao lugar das mulheres no mundo. Demasiadas questões para serem analisadas a fundo e é nisso que este livro falha. Enquanto a história se centra na amizade entre as duas raparigas, há um equilíbrio, quase que um sentimento de propósito na historia. A partir do momento em que começa a parte da escola na Nigeria, tudo se transforma numa salgalhada de temas. 

Apesar de estar muito bem escrito, com a alternância do tempo de cada episódio, com ideias claras e interessantes, senti que ao terminar a leitura não cheguei a lado nenhum. Esse é um sentimento terrível de se ter, acerca de um livro que está escrito de forma tão brilhante. 

Talvez este final sem fim tenha sido intencional. Se calhar não consegui foi compreender onde a autora queria chegar. Se calhar a intenção era mesmo não chegar a lado nenhum.

domingo, 22 de outubro de 2017

Lentamente...

Não, ainda não é desta que o blog acaba, embora o meu forte não seja realmente a interacção com outros internautas, ou a angariação de seguidores. 

Lentamente as coisas vão voltando ao normal. Não me sentia assim tão relaxada desde que estive na Escócia. Mas o que parece não querer recuperar são os meus hábitos de leitura. Tenho passado mais tempo a ver séries televisivas do que propriamente a ler. Li algo muito bom, há um mês atrás, "Swing Times", da Zadie Smith. Foi um dos poucos livros que comprei e não larguei desde a primeira página. Devo ter demorado uma semana a ler tudo. 

Também terminei "Os Filhos de Wang Lung" da Pearl S.Buck. Já andava a arrastar a leitura há mais de seis meses. Não significa que fosse mau. Só não me captava tanto a atenção. 

Agora encontro-me a atravessar um deserto de leituras....estou a ler muita coisa ao mesmo tempo e nada simultaneamente. "Emma" de Jane Austen não está a funcionar. O Valter-Hugo Mãe também não...acho que preciso de sucumbir a um guilty pleasure para ganhar ritmo. Talvez leia Charlaine Harris...há uma trilogia não relacionada com a Sookie e o True Blood, chamada "Midnight Crossroad". Ou talvez opte pela Gillian Flynn...vamos ver. 

Quando tiver paciência, vou tentar emitir uma opinião sobre as últimas leitura. Aparentemente também é lentamente que vou voltar ao Baú. 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Vendi a alma "ao diabo" e estou feliz!

Passo a explicar-me melhor: despedi-me da clínica onde estava e fui contratada por uma multinacional espanhola, líder no mercado em produtos e serviços para animais de companhia. É por essa razão que este espaço tem estado tão sossegado. 

Quando tomei a decisão de integrar a equipa de uma empresa multinacional assumi o risco em beneficio da minha vida pessoal. Se há coisa que aprendi no último ano é que grande parte da nossa vida adulta vai ser passada no nosso local de trabalho. Vai sobrar pouco tempo para a vida pessoal e no final é essa parte da vida que realmente interessa. O emprego é só uma necessidade e não o motivo pelo qual estamos aqui. 

Porquê que digo que assumo um risco? Se calhar irei evoluir em clínica de forma mais lenta, uma vez que este projecto é novo e ainda não há uma carteira de clientes fixos. Talvez não vá ver tanta casuística, já que o nosso objectivo é apostar principalmente na prevenção das doenças e educação dos donos. Talvez os colegas olhem para o meu currículo com desconfiança, afinal de contas esta é uma grande empresa. Partem do principio que só o dinheiro interessa. Se calhar eu não serei uma especialista de renome internacional no mundo da veterinária, ou até pode ser que venha a ser. Quem sabe.

Talvez por estas e outras razões isto seja arriscado num inicio de carreira, mas era o que eu precisava. Acabaram-se as horas extra não remuneradas, as noites sem dormir e as urgências ao fim de semana e feriados. Agora tenho tempo para estar com aqueles que amo e que fazem a vida valer realmente a pena! E não tive de emigrar (para já). 

Daqui a uns tempos voltamos a falar. 


domingo, 24 de setembro de 2017

"Catch-22" - Joseph Heller (uma "mais ao menos" opinião)

Raramente desisto de um livro. Posso demorar meses a terminar, mas detesto desistir e, acima de tudo, detesto emitir opiniões baseadas em partes de livros que li, mas sinto que tenho algo a dizer depois de ler 20% do Catch-22.

Até pode ser considerado uma obra-prima, mas para mim foi um martírio desde o inicio. O facto de ter optado por ler a versão original em inglês se calhar também não ajudou. 

A "história" deste livro acontece durante a fase final da Segunda Grande Guerra. Acompanhamos Yossarian, um bombardeador da força aérea americana. Escrevo "história", porque pelo que percebi, não há um enredo, mas antes um conjunto de episódios, supostamente engraçados, em torno das personagens que compõem o acampamento e a realidade distorcida, onde Yossarian habita.

Muitos destes homens não querem morrer e por isso não querem voar. A premissa é que se deve ser louco para se querer voar. Se conseguirem que um médico os considere louco não tem de voar. No entanto o "catch" é que se estão interessados em convencer o médico de que são realmente malucos, significa que na realidade não o são, porque só os loucos querem voar. 

Ideia lógica. É suposto este livro ser engraçado, mas não me ri uma única vez e cada página foi uma seca brutal, já para não falar da confusão de personagens, pior que a Guerra dos Tronos. O mais certo era ainda não estar pronta para este livro. Talvez seja tudo uma questão de timing, ou talvez seja suposto haver quem não goste.