domingo, 23 de abril de 2017

"13 Reasons Why" - série televisiva

Nas últimas semanas "13 Reasons Why" (13 Razões Porquê), a série baseada no livro homónimo do escritor Jay Asher, tem vindo a dar que falar. Esta série televisiva, a cargo da Netflix, conta a história de Hannah Baker, uma adolescente que comete suicídio e deixa um conjunto de 13 cassetes, onde fala de 13 pessoas diferentes que contribuíram para a sua morte.


O protagonista da série é Clay Jensen, a cassete número 11. É através da experiência dele que ficamos a conhecer toda a história. Percebemos o que ele sente e a forma como interpreta cada episódio. Começamos a descortinar uma série de segredos que assombram a aparentemente inofensiva escola secundária Liberty High. 

Uma das principais críticas associada a este livro/série é que atribui ao suicídio um certo glamour, colocando em risco a vida de adolescentes que se encontrem numa situação semelhante. No entanto, não consigo deixar de discordar. Penso que a principal intenção do escritor seria chamar a atenção para a forma como tratamos as pessoas que nos rodeiam. E não interessa se é na escola secundária, ou no nosso local de trabalho. É complicado sabermos o que se passa na vida das outras pessoas. O impacto que as nossas acções e palavras têm não é medido. Por vezes é difícil sair da nossa bolha de egoísmo e de conforto. É mais fácil julgar rapidamente. Não tentar entender. Dou por mim a fazê-lo a toda a hora.


Mas isto é válido para ambos os lados; Hannah Baker também não foi capaz de olhar muito além da sua bolha. Não pensou nas consequências da sua morte para aqueles que a amavam. Mas claro que para alguém deprimido é difícil conseguir fazê-lo. E num mundo onde o contacto é cada vez mais virtual e menos "físico", onde os casos de depressão são cada vez mais numerosos, é importante existirem profissionais formados para dar resposta. Mais psicólogos nas escolas, menos preconceito contra a doença mental, por exemplo.

Apesar de parecer uma série para adolescentes, 13 Reasons Why, vale a pena ser vista por toda a gente. Aborda vários aspectos da nossa sociedade que são tópicos sensíveis e até bastante complexos. Não é uma série que glorifica o suicídio. Todo o glamour que possa existir é destruído, quando vemos o episódio em que a Hannah se suicida. Para mim, foi a parte mais intensa de toda a série. Normalmente estou habituada a ver cenas de corpos encontrados, após suicídio. Ali vemos tudo a acontecer, o desespero que é necessário, as pessoas que saem magoadas. O match e o aftermatch.

Além do que já disse, a banda sonora é genial. Recomendo.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Baú dos Livros no Youtube!

Long time no see! Que é como quem diz: há muito tempo que não dizia nada! 
Tenho andado numa busca por equilíbrio na minha vida que me está a deixar mais desequilibrada a cada dia que passa...Maaaas, como a vida de cada um tem as suas particularidades, não vim aqui para me lamuriar, mas sim para revelar a criação do canal de Youtube do Baú dos livros!

Para já ainda só conta com um vídeo de qualidade duvidosa acerca do livro "Malinche" da Laura Esquivel, mas espero com o tempo e experiência ir mudando a qualidade da edição e também do próprio conteúdo. 

Espero que gostem e que subscrevam o canal, para irem acompanhando a evolução! Em breve irão ser publicadas novidades fresquinhas relativas a um passatempo associado ao canal! (Aguardem...)

domingo, 5 de março de 2017

Recap (3) Vivo a vida no limite!

É isso mesmo. Vivo a vida no limite. Com isto quero apenas dizer que não tenho antivírus no computador e recomecei a tomar café diariamente.

Mas no geral foi uma boa semana. Apenas quatro mortes. Todos os animais vinham já em condições críticas. Uma mudança de sexo numa gatinha que vinha para castrar e que afinal era um macho. Estava com os donos há mais de um ano...às vezes pergunto-me como é possível acontecer este tipo de distracções? Sobrevivi também à primeira semana de urgência e juntei algum dinheiro para eventuais férias (ou novo carro...?). 

Não tenho lido quase nada. Comecei a ler "As Altas Montanhas de Portugal" do Yann Martel (autor de "A Vida de Pi"). Teve um começo promissor, mas por alguma razão o livro está a aborrecer-me e a leitura a arrastar-se...

Por outro lado, comecei (ou recomecei) a ver muitas séries de comédia. São óptimas para desviar a mente de estados depressivos:

The Big Bag Theory - Para quem não conhece, esta é uma série de comédia que acompanha o dia-à-dia de um grupo de muito peculiar de amigos. Peculiar pelo facto de terem interesses muito nerds. Estava na sexta temporada há imenso tempo. Em menos de uma semana vi duas temporadas. Foi a única coisa que manteve a minha mente afastada do facto de já não ter o meu amigo peludo. Durante os 20 minutos de cada episódio senti que fazia parte da família Big Bang. 

 


Santa Clarita's Diet - Sigo o Instagram da Drew Barrymore e estava curiosa para ver esta série original da Netflix. Primeiro porque, sem ler a sinopse, achei que seria algo a ver com cozinha. Não deixa de ser cómico, já que de facto é sobre comida...mais especificamente sobre uma mulher que por alguma razão desconhecida, se transforma num zombie com desejos de comer carne humana e faz de tudo para o conseguir sem dar bandeira da situação. 

 
Também comecei a ver a nova e última temporada da série "Girls", que sempre me fez rir bastante. O terceiro episódio foi das coisas mais geniais que vi nos últimos tempos. Levanta muitas questões acerca do abuso de poder e posição de certos artistas, que usando a sua mascara de seriedade e cultura "superior" usam e abusam de outros seres humanos. Isto sempre aconteceu, mas foi interessante ver a situação no mundo "liberal" das artes.    



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

"Para Sempre Alice" - Lisa Genova

Este é mais um daqueles livros que, excepcionalmente, li depois de ver o filme. E ainda bem que o fiz, porque oferece-nos uma perspectiva ligeiramente diferente daquela que o filme nos proporciona. Enquanto no filme senti que estava a ver a luta diária de uma mulher extremamente intelectual, assombrada pelo terror que deve ser perder o controlo de toda uma vida, no livro senti que era de facto essa mulher. Senti acima de tudo o preconceito que a sociedade tem para com as pessoas portadoras de doença "mental" e percebi o objectivo que a autora quis alcançar - o de informar e desmistificar alguns mitos sobre a demência.  

A força da história de Alice, reside precisamente nesse ponto.  Contudo, o desejo tão evidente de autora em passar informação, acaba por de certa forma prejudicar a história. A certa altura parece que estou a ler partes de um qualquer livro do Dan Brown, em que somos bombardeados com informação demasiado detalhada.

Penso que foi por esta razão que, apesar de ter uma premissa promissora, a nível de escrita não me fascinou. Estava à espera de algo ligeiramente melhor e menos factual. 

Apesar de tudo, o que mais adoro nos livros é a capacidade de eles nos fazerem ver as coisas de pontos de vista diferentes; fazerem-nos "sair da bolha". Faço parte desta sociedade que olha as pessoas com doenças mentais de lado, tudo porque não conheço essa realidade. Como muita gente, reajo fugindo do desconhecido. É mais fácil do que tentar compreender, tentar integrar. Sem dúvida que este livro foi escrito com o intuito de tentar alertar as pessoas e desmistificar algumas crenças que se criam à volta do significado de ter Alzheimer, ou demência. Não é uma obra-prima literária, mas recomendo-o a toda a gente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Figo

É incrível como a vida é imprevisível. Há duas semanas atrás estava eu toda empolgada com ir morar sozinha, uma semana depois o Figo morre. O Figo era o meu gatinho de quase 13 anos. Como tinha referido, num post anterior, ele tinha sido diagnosticado com um problema renal e um eventual problema cardíaco. Estávamos a fazer as adaptações necessárias. Alteraramos a dieta dele e já estávamos a dar-lhe medicação diária há 15 dias. Tudo levava a crer que, apesar de doente, ainda teríamos mais tempo; anos, imaginava eu. Por isso imaginem o nosso choque, quando vimos o nosso menino morrer em segundos.

Todo o momento pareceu irreal. Ele tinha acabado de comer e esteve no colo e lá andava feliz até que ouvimos o miar mais estranho que alguma vez ouvi, de aflição. Já não houve nada a fazer e senti uma impotência horrível. Estudei 6 anos veterinária, e não houve mais nada que eu pudesse fazer para evitar aquele momento. 

Lembro-me quando o fomos buscar. Tinha 14 anos. Era o Verão antes de entrar no secundário. Estava preocupada por não achar muita piada a gatos brancos e poder não gostar dele. Que parva! Logo que chegamos à esplanada, onde nos íamos encontrar com a criadora, foi amor à primeira vista! Ele meteu a cabeça fora da caixinha de cartão em que vinha e lambeu-nos os dedos. Sempre foi um beijoqueiro aquele gatinho! 

Desde esse dia foi o menino da casa. Sempre muito comilão e companheiro. Sem nunca miar como um gato normal, mas sempre pronto a pedir mimo e a dar beijos. Mesmo com a chegada das outras gatinhas, sempre foi muito permissivo e carinhoso. Como vou ter (tenho!) saudades daquele pelinho de algodão branco e dos beijinhos pela manhã.

A única coisa que me consola é saber que não houve um único momento em que ele não soubesse como gostávamos dele. Mesmo quando morreu, estava rodeado pelos seus humanos, ainda que todos eles chorões e incapazes de evitar o inevitável. O fim foi rápido e ele não sofreu.

Agora está algures no céu dos gatos, quem sabe até se não reencarnou em algum outro ser vivo espectacular. Talvez num pequeno pónei, como eu gostava de lhe chamar, ou numa princesa gorda... Gosto tanto de acreditar nisso nestes momentos menos bons, mesmo que tudo não passe de fantasias imaginadas.