domingo, 5 de março de 2017

Recap (3) Vivo a vida no limite!

É isso mesmo. Vivo a vida no limite. Com isto quero apenas dizer que não tenho antivírus no computador e recomecei a tomar café diariamente.

Mas no geral foi uma boa semana. Apenas quatro mortes. Todos os animais vinham já em condições críticas. Uma mudança de sexo numa gatinha que vinha para castrar e que afinal era um macho. Estava com os donos há mais de um ano...às vezes pergunto-me como é possível acontecer este tipo de distracções? Sobrevivi também à primeira semana de urgência e juntei algum dinheiro para eventuais férias (ou novo carro...?). 

Não tenho lido quase nada. Comecei a ler "As Altas Montanhas de Portugal" do Yann Martel (autor de "A Vida de Pi"). Teve um começo promissor, mas por alguma razão o livro está a aborrecer-me e a leitura a arrastar-se...

Por outro lado, comecei (ou recomecei) a ver muitas séries de comédia. São óptimas para desviar a mente de estados depressivos:

The Big Bag Theory - Para quem não conhece, esta é uma série de comédia que acompanha o dia-à-dia de um grupo de muito peculiar de amigos. Peculiar pelo facto de terem interesses muito nerds. Estava na sexta temporada há imenso tempo. Em menos de uma semana vi duas temporadas. Foi a única coisa que manteve a minha mente afastada do facto de já não ter o meu amigo peludo. Durante os 20 minutos de cada episódio senti que fazia parte da família Big Bang. 

 


Santa Clarita's Diet - Sigo o Instagram da Drew Barrymore e estava curiosa para ver esta série original da Netflix. Primeiro porque, sem ler a sinopse, achei que seria algo a ver com cozinha. Não deixa de ser cómico, já que de facto é sobre comida...mais especificamente sobre uma mulher que por alguma razão desconhecida, se transforma num zombie com desejos de comer carne humana e faz de tudo para o conseguir sem dar bandeira da situação. 

 
Também comecei a ver a nova e última temporada da série "Girls", que sempre me fez rir bastante. O terceiro episódio foi das coisas mais geniais que vi nos últimos tempos. Levanta muitas questões acerca do abuso de poder e posição de certos artistas, que usando a sua mascara de seriedade e cultura "superior" usam e abusam de outros seres humanos. Isto sempre aconteceu, mas foi interessante ver a situação no mundo "liberal" das artes.    



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

"Para Sempre Alice" - Lisa Genova

Este é mais um daqueles livros que, excepcionalmente, li depois de ver o filme. E ainda bem que o fiz, porque oferece-nos uma perspectiva ligeiramente diferente daquela que o filme nos proporciona. Enquanto no filme senti que estava a ver a luta diária de uma mulher extremamente intelectual, assombrada pelo terror que deve ser perder o controlo de toda uma vida, no livro senti que era de facto essa mulher. Senti acima de tudo o preconceito que a sociedade tem para com as pessoas portadoras de doença "mental" e percebi o objectivo que a autora quis alcançar - o de informar e desmistificar alguns mitos sobre a demência.  

A força da história de Alice, reside precisamente nesse ponto.  Contudo, o desejo tão evidente de autora em passar informação, acaba por de certa forma prejudicar a história. A certa altura parece que estou a ler partes de um qualquer livro do Dan Brown, em que somos bombardeados com informação demasiado detalhada.

Penso que foi por esta razão que, apesar de ter uma premissa promissora, a nível de escrita não me fascinou. Estava à espera de algo ligeiramente melhor e menos factual. 

Apesar de tudo, o que mais adoro nos livros é a capacidade de eles nos fazerem ver as coisas de pontos de vista diferentes; fazerem-nos "sair da bolha". Faço parte desta sociedade que olha as pessoas com doenças mentais de lado, tudo porque não conheço essa realidade. Como muita gente, reajo fugindo do desconhecido. É mais fácil do que tentar compreender, tentar integrar. Sem dúvida que este livro foi escrito com o intuito de tentar alertar as pessoas e desmistificar algumas crenças que se criam à volta do significado de ter Alzheimer, ou demência. Não é uma obra-prima literária, mas recomendo-o a toda a gente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Figo

É incrível como a vida é imprevisível. Há duas semanas atrás estava eu toda empolgada com ir morar sozinha, uma semana depois o Figo morre. O Figo era o meu gatinho de quase 13 anos. Como tinha referido, num post anterior, ele tinha sido diagnosticado com um problema renal e um eventual problema cardíaco. Estávamos a fazer as adaptações necessárias. Alteraramos a dieta dele e já estávamos a dar-lhe medicação diária há 15 dias. Tudo levava a crer que, apesar de doente, ainda teríamos mais tempo; anos, imaginava eu. Por isso imaginem o nosso choque, quando vimos o nosso menino morrer em segundos.

Todo o momento pareceu irreal. Ele tinha acabado de comer e esteve no colo e lá andava feliz até que ouvimos o miar mais estranho que alguma vez ouvi, de aflição. Já não houve nada a fazer e senti uma impotência horrível. Estudei 6 anos veterinária, e não houve mais nada que eu pudesse fazer para evitar aquele momento. 

Lembro-me quando o fomos buscar. Tinha 14 anos. Era o Verão antes de entrar no secundário. Estava preocupada por não achar muita piada a gatos brancos e poder não gostar dele. Que parva! Logo que chegamos à esplanada, onde nos íamos encontrar com a criadora, foi amor à primeira vista! Ele meteu a cabeça fora da caixinha de cartão em que vinha e lambeu-nos os dedos. Sempre foi um beijoqueiro aquele gatinho! 

Desde esse dia foi o menino da casa. Sempre muito comilão e companheiro. Sem nunca miar como um gato normal, mas sempre pronto a pedir mimo e a dar beijos. Mesmo com a chegada das outras gatinhas, sempre foi muito permissivo e carinhoso. Como vou ter (tenho!) saudades daquele pelinho de algodão branco e dos beijinhos pela manhã.

A única coisa que me consola é saber que não houve um único momento em que ele não soubesse como gostávamos dele. Mesmo quando morreu, estava rodeado pelos seus humanos, ainda que todos eles chorões e incapazes de evitar o inevitável. O fim foi rápido e ele não sofreu.

Agora está algures no céu dos gatos, quem sabe até se não reencarnou em algum outro ser vivo espectacular. Talvez num pequeno pónei, como eu gostava de lhe chamar, ou numa princesa gorda... Gosto tanto de acreditar nisso nestes momentos menos bons, mesmo que tudo não passe de fantasias imaginadas.  



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Resumo semanal #02 2017

Devia chamar a isto resumo mensal...sou terrível a manter rotinas e posts periódicos.  Mas, tenho uma justificação - agora sou adulta.

Eu achava mesmo que com a o fim da universidade a minha vida ia acalmar e eu ia ter tempo para ler muito, ver séries, criar conteúdo de forma consistente para o meu canal de Youtube, tornar-me uma chefe de cozinha, manter a agenda actualizada e ainda ir ao ginásio. 

A realidade é diferente. Acordo todos os dias às 7:30 e vou para o trabalho que começa às 9:30. Dou picas, castro animais, faço eutanásias e, ocasionalmente, salvo uma vida ou outra, e vou almoçar. Aproveito para estudar e ler as novidades. As coisas repetem-se até as 20h, hora a que saio e vou para casa. Chego às 21h  (na maior parte dos dias), demasiado cansada para seja o que for. Vejo vídeos no Youtube (ainda vou conseguindo) e, às vezes, leio um bocadinho. 

Eu achava que ser adulta significava ter mais liberdade. É tudo mentira! Não tenho tempo para nada e passo a vida a desejar que seja fim de semana, para depois me sentir super deprimida ao Domingo à noite...

Se calhar só preciso de tempo para me adaptar...

Adicionalmente a este cansaço...a mudança de casa está prestes a acontecer. Depois das mil burocracias e marcações para ter luz, água, gás e internet, há um apartamento para limpar e do qual remover postas de pó e porcaria que o anterior inquilino lá deixou.

Estou entusiasmada por ir viver com o namorado, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de sentir alguma tristeza, uma vez que é um marco que simboliza o fim de uma espécie de infância prolongada. Já para não falar que viver numa casa sem animais vai ser muito estranho...    

E como a idade também não perdoa, o meu gatinho mais velho está doente. Tem insuficiência renal crónica. É uma patologia sem cura e com um fim inevitável, cujo tratamento consiste em tentar atrasar ao máximo o desfecho. Ele para já está óptimo e descobri numa fase ainda sem sinais clínicos (só andava a perder peso e a beber muita água). Comecei o tratamento e fiz alterações na dieta dele. Sei que os meus pais dão conta do recado, uma vez que até estão muito mais tempo do que eu em casa, mas custa-me ir para outro lado e não estar tão presente.

De resto, ainda estou a ler o segundo volume dos Pilares da Terra e falta-me apenas meio episodio do The Crown... 

 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

"Os Pilares da Terra I" - Ken Follet

Os Pilares da Terra, do escritor britânico Ken Follet, narra a história da construção de uma catedral. Dito desta forma tão simplista, não parece interessante, mas basta ler o primeiro capítulo, para ficarmos imediatamente presos à narrativa.

Sempre tive um especial interesse por romances históricos, embora nunca tenha lido muito para além de um ou dois livros do escritor escocês Walter Scott, o pai do romance histórico, e alguns da Philippa Gregory (ahah...como se pudesse comparar os dois...sacrilégio!!). Como já tinha ouvido falar inúmeras vezes deste livro, e como a minha nova cidade a tal inspirava (Guimarães), resolvi experimentar.

O que torna este livro tão bom é a capacidade que o escritor tem de criar descrições simples e ao mesmo tempo tão detalhadas, quase como se de um enredo cinematográfico se tratasse. A forma como alternamos entre momentos calmos e cenas incríveis é muito subtil; quando se dá por ela estamos atrasados para o emprego, porque de repente apareceu uma cena super importante e que não podíamos deixar de ler. O coração bate mais rápido e temos mesmo de saber o que acontece!

Se lerem as minhas opiniões anteriores, notam que dou muita importância ao enredo e à caracterização das personagens. As dúvidas, os gostos e as ambições de cada personagem deste livro sem protagonista, estão tão bem aplicadas, que é simplesmente magnífico de ir descobrindo e amando (ou destestando) cada uma delas. 

Nota-se também o interesse de Follet por arquitectura. Apesar da minha formação em Artes ser bastante superficial, consegui acompanhar as descrições e explicações arquitectónicas que ele oferece, com maior detalhe do que em qualquer outro romance histórico que li.  

Não me surpreendeu de todo que este livro fosse transportado para o pequeno ecrã. Tudo nele gritava para que o transformassem em imagens e num futuro próximo irei debruçar-me sobre a série televisiva.  

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Estágios curriculares. São mesmo importantes?

Até que ponto é que os estágios curriculares foram importantes para a minha formação, e para o que estou a fazer agora, é algo com que já me questionei, em mais do que uma ocasião. Acredito que a resposta seja diferente, dependendo da área profissional em que o estágio está inserido. No caso da veterinária, sou da opinião que estagiar em mais do que um local, e por um período médio/longo, é importante, mas pode não ser essencial.

Cada pessoa tem o seu ritmo de aprendizagem e o seu percurso profissional. Quando comecei o primeiro mês de estágio curricular (há pouco mais de um ano atrás), estava convencida que iria trabalhar na área dos grandes animais. No final desse primeiro mês, já tinha percebido que iria ser muito infeliz nessa área. Na universidade, a temática era super interessante e fácil, mas na prática era uma grande complicação, que acabava por se tornar mais frustrante, do que desafiante. Gramei com mais dois meses de estágio em bovinos de leite e acabei por prolongar o meu estágio curricular na área dos pequenos animais. Foi assim que percebi que era naquela área que queria realmente exercer. Ao todo, estagiei cerca de um ano, em cinco lugares diferentes e defendi uma dissertação de mestrado sobre um tema que detestei e que duvido que alguma vez tenha grande utilidade no meu percurso profissional (mas...nunca se sabe...). 

Todos estes estágios foram financiados pelos meus pais, enquanto a universidade continuava a exigir o pagamento de propina, ainda que num valor "parcial", mas sem nunca oferecer qualquer tipo e apoio, ou inquirir sobre como estavam a correr as coisas no "mundo real".

Em oposição ao meu longo período de estágio, tenho colegas que realizaram apenas 3 meses, num só lugar e que saíram de seguida para o mundo do trabalho. No fundo, acredito que os primeiros tempos tenham sido também uma espécie de estágio. Mesmo agora, depois do meu ano a estagiar, não sei nem 1/5 daquilo que uma pessoa muito mais experiente sabe, mas acredito que gostar do que se faz e querer sempre aprender mais é a chave para o sucesso.

Mais do que ter aprendido a aplicar muitos dos princípios teóricos adquiridos na universidade, e a identificar problemas e diagnósticos diferenciais, aprendi a adaptar-me a diferentes métodos de trabalho. Graças a isso sinto que posso aproveitar o que de melhor cada local tem a oferecer. Não contactei com métodos de diagnóstico xpto, e não os tenho à minha disposição, mas por outro lado assisti a inúmeras (mesmo muitas) consultas e percebi o que me ia esperar, quando começasse a exercer; quais as dúvidas dos donos, as suas frustrações e preocupações. Aprendi que no consultório não importa só o animal, mas também (e se calhar mais) o dono. Descobri o nosso papel super importante como educadores e a forma como ao ensinarmos um pouco mais ao dono, estamos a prevenir problemas sérios para o animal e a contribuir para a mudança de mentalidades.

Apesar de haver dias em que a minha cabeça está em papa de tanto falar e de tantas histórias ouvir sobre os meus pacientes, saber que aquela consulta anual, pode fazer a diferença motiva-me a estudar mais e a investir mais do meu tempo pessoal no trabalho. 

Com todas estas experiências diferentes, continuo sem ter ainda definido um percurso profissional (alguém tem?). Não ambiciono ter a minha própria clínica, ou ser especialista em alguma matéria. Na realidade não faço a mínima ideia do que quero estar a fazer daqui a 2 anos, quanto mais daqui a 5... Sei apenas o que não quero estar a fazer. Espero que, com o passar do tempo, a vida me ajude a decidir. Para já, quero apenas manter-me curiosa e encontrar um equilíbrio saudável entre o que faço no meu trabalho e a minha vida pessoal. 

Se os estágios são importantes para todas as profissões? Na minha foram, mas na vossa não sei. O que é importante é que não limitem as vossas opções, com base no estágio que fizeram. Ele não vos define, apenas deve enriquecer.