segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"A Vida Secreta das Abelhas" - Sue Monk Kidd

"Um romance sobre o poder transcendente do amor e a faceta feminina de Deus. Uma história que as mães gostarão de contar às filhas."

Esta é a descrição que aparece, quando procuramos este livro no Goodreads e está tão incompleta...

Este livro chegou às minhas mãos por mero acaso. Era Verão e andava a passear pelo velho Porto e em cada esquina havia uma feirinha. Ou de artesanato, ou de legumes e frutas biológicas (não são todos?) , ou de livros em segunda mão; em qualquer lado havia uma distracção diferente. Como é lógico, acabei por me perder no tempo, enquanto deambulava pelas banquinhas de livros usados, que, aliás, são os únicos que ainda me fazem gastar dinheiro. Foi assim que por três euros, comprei um dos livros que mais me ensinou e mais prazer me deu nos últimos meses. 

Sempre adorei abelhas. Quando era criança, adorava andar atrás daqueles zangões farfalhudos e tentava tocar naqueles pelinhos tão fofinhos. Por três vezes me picaram, mas só a primeira me fez chorar, mais por surpresa do que propriamente dor. Lembro-me que a minha avó me fez meter uma uva no sitio da picadela...até hoje duvido que  isso tenha tido algum efeito. O meu primeiro namorado tinha pavor de abelhas. Só por aí devia ter adivinhado que nunca daria certo entre nós. No terceiro ano da faculdade inscrevi-me numa opcional de Apicultura e lá andei no meio delas, com aquele fatinho tipo astronauta, a ver a casa delas e o fantástico produto dos deuses a que chamam "mel" Sempre me fascinou a organização daqueles seres tão pequenos e a complexidade do funcionamento de uma colmeia. Acho que foi por isso que acabei por comprar o livro.

"A Vida Secreta das Abelhas" conta a história de Lily Owens, uma jovem adolescente de catorze anos, que cresceu com a convicção de que acidentalmente havia matado a sua mãe, quando tinha quatro anos.  Aquilo que recorda desse dia não é exacto e, para além das suas memórias, Lily tem apenas o relato do seu Pai, homem extremamente carrancudo, autoritário e violento, que faz a vida negra à rapariga.


No dia do seu décimo quinto aniversário a vida de Lily muda para sempre, quando uma série de acontecimentos a fazem fugir de casa na companhia de Rosaleen, a senhora negra que a criou e que havia sido presa e espancada essencialmente por causa da cor da sua pele. 

Lilly decide seguir o rasto que a sua mãe deixou nas poucas recordações que possui e acaba por encontrar refúgio na casa de três irmãs apicultoras, que são a chave que irá desvendar o misterioso passado da mãe de Lily e consequentemente, o seu próprio passado. 

Demorei menos de três dias a ler este livro. Simplesmente não conseguia parar de ler.  Está escrito de uma forma muito simples e bonita, encerrando simultaneamente uma série de ideias sobre a vida e o mistério que ela é, que lhe conferem um encanto único. Ao longo do desenrolar da história, vamos acompanhando o próprio crescimento interior da protagonista, vamos desvendando o seu passado e vamos aprendendo a fazer algo que é muito difícil - perdoar os nossos próprios erros e falhas. 

Fiquei tão embrenhada na história e no desenrolar dos acontecimentos, que este foi um dos poucos livros que me fez chorar. Para além de toda a problemática associada ao passado de Lily, temos também o racismo e a descriminação racial como tema central, que estão na origem de algumas passagens que nos revoltam profundamente.  

Este é um daqueles livros que recomendo a toda a gente, pela valiosa lição que nos consegue ensinar. 

 




2 comentários:

Dulce disse...

Olá,
No Natal estive doente de cama mesmo e li este maravilhoso livro e por coincidência vi o filme num canal da TV Cabo. O filme é muito bom mas o livro é maravilhoso.
Gostei muito.
Bjs

Ana Luisa Alves disse...

Olá Dulce! Obrigada pela visita!

O Filme está na minha lista para ver, mas sou da convicção que o livro acaba por ser quase sempre melhor ;)

Bjs