segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Quando a universidade acaba - coisas que eu gostava que me tivessem avisado.

Há um ano atrás estava em processo de conclusão e entrega da dissertação de mestrado. Olhando para trás parece que foi há muuuito tempo. O que é certo é que estava longe de estar pronta para o pós-universidade. 

Foram 6 anos a marrar e a viver de um orçamento limitado, oferecido pelos pais. O que eu mais queria era despachar-me e começar a viver a minha vida, economicamente independente a fazer aquilo que gostava e sem ter de consultar ninguém; Comprar livros sempre que quisesse, viajar e conhecer o mundo, decorar o meu quarto como eu queria, ter mil animais, fazer uma tatuagem rebelde, etc etc. Que inocente. Porquê que ninguém nos prepara para o que realmente acontece (ou porquê que não ouvimos??).

Quando entreguei a tese corri a arranjar um emprego e consegui-o muito facilmente. Não pensei seriamente se seria o ideal para mim, porque na altura eu queria era começar! E comecei. No espaço de dois meses, tinha acabado o curso, estava inscrita na Ordem dos Médicos Veterinários, tinha o meu primeiro emprego, mudei de cidade e arranjei o meu apartamento com o meu namorado, estava a fazer as primeiras cirurgias sozinha (coisa que não acontece em todo o lado...tive muita sorte nesse aspecto) e sentia-me acelerada. Talvez demais. 

Lentamente a depressão começou a instalar-se. Não ajudou o facto de uma semana depois de me mudar, o Figo (o meu gato de 13 anos) morrer de forma súbita. A verdade é que até aquele momento o meu objectivo tinha sido acabar o curso e começar a trabalhar. Desde o infantário, que o meu ano estava planeado, de acordo com o calendário escolar. Havia uma ordem nas coisas: 1º ano, 2º ano, 3º ano, 4º ano....12ºano, 1º ano de universidade... Agora que estava tudo encarreirado, sem testes e sem notas finais, senti-me perdida. Não tinha nenhum objectivo. Os dias foram-se repetindo, as horas extra foram se acumulando e a minha frustração e desmotivação foram crescendo. 

Acima de tudo eu não tinha conseguido prever que a veterinária não ia chegar e que ia, inclusive, tentar roubar-me a identidade. Fazia-me falta a bicicleta, a corrida, o tempo para ler, os vídeos parvos e os amigos para conviver. Outra coisa que também não ajudava era comparar o meu trajecto profissional e satisfação ao dos meus colegas recém-licenciados. "Ele está feliz...também deveria estar." Não. Toda a gente é diferente e toda a gente precisa de tempo, para perceber o que o faz feliz. Adoro ser veterinária, mas gosto ainda mais de não ser só isso.

Gostava que alguém me tivesse avisado, que quando acabasse o curso eu não ia fazer a mínima ideia do que queria, ou de para onde ia. Que ia errar, escolher mal, precipitar-me e arrepender-me, mas que ia sobreviver e ultrapassar. Acredito que existam aquelas pessoas super ambiciosas, com uma vontade de ferro e ganas de ser especialista em xyz. Eu só quero ser feliz e continuar a sentir-me curiosa, não apenas em relação à minha profissão, mas também no meu dia-à-dia. Sei lá o que se vai passar...




 

domingo, 3 de setembro de 2017

"As Serviçais" de Kathryn Stockett

"As Serviçais" estava na minha lista de leitura há bastante tempo...tipo há anos. Este é um livro sobre a vida das criadas negras, no estado sulista do Mississípi, nos Estados Unidos. Aqui as leis de segregação eram levadas muito a sério, e além disso o lugar das mulheres (pretas, ou brancas), estava bem estipulado. Ai daquela que resolvesse questionar a sociedade!  

A história é nos apresentada sob a perspectiva de três mulheres diferentes: Aibileen, uma mulher de meia idade, conformada com a sua posição de criada negra; Skeeter, uma jovem branca aspirante a escritora, que luta contra a perspectiva de ter de se tornar numa simples dona de casa; e Minny, a antítese da calma e ponderada Aibileen, com uma língua afiada e uma vontade de ferro. Estas três mulheres unem-se para criar a sua forma secreta de protesto - um livro, onde sob anonimato e identidade falsa, relatam como é ser negra e trabalhar para as mulheres brancas.

Já tinha visto o filme, com a fantástica actriz Viola Davis no papel de Aibileen, mas ainda assim vale muito a pena ler "As Serviçais". A história no grande ecrã está bastante fiel, mas, como é lógico, é impossível introduzir em duas horas e pico todos os pensamentos e detalhes desta história e das suas personagens. 

Gostei da forma como intercalam os capítulos sob a perspectiva destas três mulheres e como abordam temas interessantes, recorrendo a uma série de episódios aparentemente banais, não só o problema do racismo e segregação racial, mas também a emancipação e a desigualdade entre sexos. No entanto existiram algumas coisas que não gostei. 

Começo por falar da tradução do título de "The Help", para "As Serviçais". Eu compreendo que o título "A Ajuda" não fizesse sentido em português, mas o que raio são "serviçais"?! Qual era o problema de optar por "As Criadas"? Ou então, manter a coerência do título e chamar-lhe de "Ajudem", já que (spoiler alert), "The Help" é o nome do livro secreto...neste caso o título era um bocadinho importante demais, para ser distorcido desta forma.

A personagem de Skeeter também me deixa com um sabor agridoce na boca. Acho que há demasiadas contradições na sua personalidade, que se reflectem na história e que acabam por irritar. Esta rapariga sempre cresceu com as suas amigas brancas, membros da liga xpto, mestres em boas maneiras e aulas de etiqueta e cujo único objectivo era casar com um homem rico e fazer festas de angariação de fundos, para os meninos pobres de África (a ironia...). Todas elas foram criadas por uma criada negra e o que apenas distingue Skeeter dessas miúdas é o facto de ter tido uma educação superior e ser ligeiramente menos bonita. Depois de voltar da universidade Skeeter continua a querer agradar a essas raparigas e a tentar incluir-se na sociedade onde cresceu e é isso que para mim não faz muito sentido. Se a única coisa que a distingue delas é a educação superior, porquê que só ao escrever o livro é que se apercebe da injustiça e desigualdade social à sua volta? Falta aqui qualquer coisa. Acho que é carácter!  

Talvez isto tenha sido intencional e a escritora quisesse apenas associar a mudança e crescimento de Skeeter à escrita simultânea do livro secreto, mas parece um ligeiro desmazelo na construção da personagem, quando comparamos com a complexidade da aparentemente calma Aibileen. 

Apesar de não ser perfeito, é uma boa história, bem contada e que toca em assuntos que, ainda hoje, causam comichão a muito boa gente. 

Agora vou só ali limpar a cozinha e estender a roupa, que o meu marido pode não gostar que eu tenha um blog e descuide as tarefas domésticas.

Tatá! *


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Levar as crianças a sério

Ás vezes, com o ritmo acelerado da vida de veterinária, esqueço-me que gosto de falar com as pessoas e de esclarecer dúvidas. Acho realmente que é nas pequenas coisas que começamos a educar os donos (ou tutores, como agora são chamados) e a fazer a diferença.

Mas o que eu gosto realmente é quando para além dos adultos, vem ao consultório crianças entre os 5 e os 7 anos. Dispenso bem os irrequietos e mal-educados, que me mexem em tudo e não são controlados pelos progenitores, mas ainda existem crianças educadas e curiosas. 

Estes dias tive de, pela milionésima vez, desmistificar o acto de dar ossos ao cão. Enquanto interiormente o adulto provavelmente pensou que eu só queria vender ração e  que sempre deu ossos e nunca aconteceu nada do que eu disse que podia acontecer (olá pai!) -maior risco de fractura de dentes, obstrução respiratória, perfuração gástrica/intestinal; fístulas anais, etc. - a criança de certeza que ouviu e vai oferecer grande resistência em casa, quando o adulto insistir em fazer asneira. Muitas das crianças até pedem para eu explicar melhor como é que todas aquelas coisas terríveis podem acontecer ao seu amigo de quatro patas. 

É por isso que quando faço a consulta de vacinação, ou primeira consulta, quando está presente uma criança, falo directamente para os pequenos. Eles são uma arma poderosa e é desde pequeno que se começa a interiorizar o que está certo e errado. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

"A Sangue Frio" de Truman Capote

A minha primeira experiência com Truman Capote não foi maravilhosa. "Breakfast at Tiffany's" pareceu-me supérfluo e desprovido de grande conteúdo, ainda que tenha sido muito bem escrito. 

Depois de ler "A Sangue Frio", fico contente por não ter desistido de Capote. Este livro é genial e deixou-me com uma impressão tão forte, que mesmo quando o fecho, a história continua a acompanhar-me, como se de um fantasma se tratasse. 

Esta é uma narrativa assente em factos reais, que aborda o horrendo crime ocorrido em 1959 na calma cidade de Holcomb, Kansas. Nesta pequena cidade, a família Clutter é brutalmente assassinada, sem que existam suspeitos evidentes, ou uma razão aparente. 

Apesar do leitor já saber o desfecho da história, "A Sangue Fresco" está de tal forma tão bem construído, que o factor surpresa deixa de ser importante. Somos primeiro apresentados aos Clutter. Ficamos a par dos seus gostos, das suas manias e do seu dia-à-dia. É através das suas rotinas, que vamos conhecendo os habitante de Halcomb e os lugares que caracterizam a vila. Simultaneamente, começamos também a acompanhar a vida de dois ex-condenados - Dick e Perry. Claro que não é preciso ser nenhum génio, para se perceber que estes serão os autores do crime. 



Quando nos começamos a afeiçoar à família, Capote introduz o dia em que os seus corpos são encontrados. O choque que o leitor sente, não será comparável ao que a população daquela sossegada cidade sofreu, mas dá para ter uma ideia. Quatro seres humanos inocentes, assassinados de forma brutal. Enquanto estava à procura de imagens da família, deparei-me acidentalmente com as fotografias da cena do crime. Se já a leitura me deixou agoniada, as imagens deixaram-me enojada. Aquelas pessoas podiam ser qualquer família. 

Gostei também da forma como Capote conseguiu através de cartas, diários e entrevistas, caracterizar tão bem os assassinos. A forma como Dick e Perry se acham os maiores é revoltante. O leitor é conduzido pelas palavras do escritor ao interior do cérebro daqueles dois seres. Infelizmente percebemos que aquelas pessoas não tinham problemas mentais; Perry e Dick eram simplesmente egoístas e desprovidos de compaixão. Causaria pena, se antes disso não causasse nojo.  




Inquietante e muito bem construído, "A Sangue Frio" consegue cativar qualquer leitor e até ao momento, considero-o um dos melhores livros que já li. Se quiserem aproveitem para participarem no passatempo, onde podem ganhar um exemplar. Boa sorte!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Dia 4 Seguindo as setas amarelas: Redondela - Pontevedra

Esta era a nossa etapa mais curta. Apenas 24km. Claro, que na etapa anterior ficamos a 4km de Redondela, por isso na realidade seriam 28km até Pontevedra. 


O dia estava a nascer, quando acabamos o pequeno-almoço e seguimos caminho. Custou um bocadinho a olear as articulações, mas a coisa lá foi correndo bem. Para melhorar ainda mais o dia, ao chegarmos a Redondela, encontrei um Iphone no chão! (Se alguém quiser comprar, mandem-me mail!). 

A paisagem desta etapa é bem mais interessante do que a etapa anterior. Há menos asfalto. No entanto, continuo a achar que a parte minhota portuguesa é a mais linda.

Depois de uma noite muito mal passada e da comida horrível, que havíamos ingerido nos últimos tempos, estávamos decididos a alugar um quarto de hotel. De preferência um hotel com banheira, para podermos tomar um belo banho de imersão e recuperar das nossas lesões, que por esta altura já eram múltiplas; eu com o joelho a doer em cada passo, o meu pai com bolhas nos pés e dores ósseas também nos pés. 

Foi com este pensamento a servir de motivação, que chegamos a Pontevedra, cidade com uma zona histórica cheia de comércio e vida. Tratamos logo de nos hospedar no Hotel Rias Bajas, onde os lençóis eram de confiança e havia ar condicionado. Depois de tomarmos um belo banho, fomos procurar um sitio onde comer. 

Com a ajuda do Tripadvisor, fomos ter a uma tasca chamada "Casa Duran". Tinha um aspecto exterior terrível e dentro fazia bastante calor, mas estava cheio de espanhóis, o que era bom sinal. Quando entramos, um homem mal encarado reclamou por virmos tarde (eram 15:30h). Não nos intimidou, uma vez que tínhamos demasiada fome, para querermos saber. Por menos de 20 euros comemos entrada e prato principal, cafés e bebidas incluídas. Estava tudo muito bom e tiramos finalmente a barriga de misérias. 


Para deleite dos turistas ingleses, sempre contidos e respeitáveis (quando sóbrios), o patrão da tasca esteve sempre a gritar e fazer alta cena, revoltado com os políticos e as regras do sistema. Quando perguntamos à empregada de mesa se ele estava bem, a resposta foi que aquilo é o normal dele. Está mal disposto desde que entra até que sai.

O resto do dia foi passado a ver TV, a dormitar e a descansar no quarto do hotel. Estava tão cansada, que nem vontade de ir conhecer Pontevedra tinha (daí a falta de fotos).

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"O Bosque dos Pigmeus" de Isabel Allende

Publicado em 2004, "O Bosque dos Pigmeus" é o terceiro e último volume da trilogia intitulada "As Aventuras da Águia e do Jaguar". 

Os protagonistas são Nádia e Alexander, que juntamente com a avó jornalista, partem numa aventura africana, que não se adivinhava difícil. Claro que algo corre mal e os heróis se vem encurralados na selva profunda, sob as ordens de um ditador terrível. 

Confesso que não li os anteriores, mas achei a leitura deste pequeno livro bastante agradável. Nota-se que tem por alvo um público jovem, e por isso o enredo é descomplicado. 

Esta é talvez das minhas opiniões mais curtas (estou morta da vida), mas a verdade é que este não é um livro com grande conteúdo. É daquelas leituras de noite de Verão, quando é preciso ultrapassar o calor e ganhar algum sono, para se conseguir adormecer. Talvez seja também uma boa opção para oferecer a um jovem adolescente, que precise de ler mais do que aqueles romances juvenis repetitivos. Tem aventura, tem magia, tem calor africano e um cheirinho de romance juvenil. Ah! E está bem escrito (digo eu, com o meu canudo em literatura...)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Passatempo "A Sangue Frio" Truman Capote

ACTUALIZAÇÃO (20/08/2017) - A VENCEDORA SORTEADA FOI ANA FOLES! MUITOS PARABÉNS E MUITO OBRIGADA A TODOS OS QUE PARTICIPARAM!

Para não interrompermos a onda dos Passatempos aqui no Baú dos Livros, desta vez tenho para vos oferecer um exemplar do clássico "A Sangue Frio" de Truman Capote. 


Para se habilitarem a ganhar basta preencherem o formulário em baixo. O uso de Facebook é opcional (embora aumente as hipóteses de serem os sorteados). Apenas é crucial seguirem o blog com a vossa conta Google. 





- São aceites moradas de todo o mundo.
- São aceites participações até às 00:00 do dia 19 de Agosto de 2017.
- Podem partilhar publicamente o passatempo as vezes que quiserem, para aumentar as vossas hipóteses de serem os vencedores. 
- O vencedor é contactado por e-mail pelo Baú dos Livros e tem até 10 dias para reclamar o seu prémio, fornecendo a sua morada completa;
- O Baú dos Livros não se responsabiliza pelo extravio das encomendas enviadas.

a Rafflecopter giveaway

terça-feira, 18 de julho de 2017

Dia 3 Seguindo as setas amarelas: Valença - Redondela

Nesta etapa o meu joelho "deu o peido" aka "arrombou" aka deixou de funcionar em condições aka tivemos de parar no primeiro albergue que encontramos, 3 km antes de Redondela. 


Quando entramos em Tui fui surpreendida pela sua parte antiga. Sempre achei que Tui era só uma zona mais industrial e bomba de gasolina...mas afinal há uma catedral e uma zona histórica. 


Não são as subidas, ou o esforço físico que tornam esta etapa a pior. Acho que é a quantidade de estrada e a paisagem aborrecida que o faz. Também não ajudou os 4 km extra da etapa anterior, que fizeram com que andássemos um total de 39km...

Depois de Porriño não há praticamente cafés, ou restaurantes numa distância de 12km. Por isso, no desespero da fome, entramos no primeiro que nos apareceu chamado "El Alprende", perto de um albergue. O menu peregrino era 7 euros. Pedimos dois. Foram os 14 euros mais mal gastos de sempre na pior refeição de sempre em Espanha! A sopa era claramente Knorr e o prato principal, "Arroz Cubano" era uma verdadeira m****...basta ver a foto...Comi a gema dos dois ovos e pronto. O meu pai nem conseguiu comer e quase se gregou todo! Não percebo como é possível servir tão mal e porcamente. É mesmo aproveitarem-se dos peregrinos, porque mais valia termos pedido umas tapas quaisquer.



Depois deste almoço "maravilhoso", continuamos em direcção a Redondela. Quando finalmente começamos a descer em direcção à cidade, o meu joelho resolveu que não queria mais continuar. Na descida encontramos o Bar Corisco, que tinha uma espécie de albergue improvisado. Pedimos o único quarto duplo que havia, porque não estávamos com vontade de partilhar odores corporais. Esta foi a única noite que passamos num albergue. O WC era partilhado com todos e o quarto tinha uma roupa de cama suspeita, que nos incitou ao uso do saco cama.  O dormitório estava barulhento e com um cheiro a suor nojento....sim, confesso que sou uma peregrina que aprecia um bom descanso. 


O jantar foi melhor que o almoço (não era complicado), mas ainda assim nada de especial, embora a senhora responsável fosse sempre muito atenciosa. Dormimos mal e no dia seguinte lá continuamos a jornada, eu com o joelho dorido e o meu pai com bolhas nos pés. Esta etapa ia ser mais curta, era o que nos mantinha firmes!

To be continued....


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Dia 2 Seguindo as setas amarelas: Ponte de Lima - Valença

Esta é A ETAPA. Afirmo isto no sentido, que é aquela jornada de que toda a gente fala e diz que é do diabo. Na minha opinião, de pessoa que não conseguiu chegar a Valença e acabou por ficar num excelente hotel a 4 km do destino final, discordo. Valença - Redondela é pior! 


Esta etapa é longa e tem uma bruta de uma subida e (consequentemente) descida que desgasta, mas que é compensada pelas paisagens lindas! A longevidade (quase 40km) é que torna tudo mais complicado. A certa altura vê-se a cidade, mas nunca mais se chega e o desespero começa aí. 



Nesse segundo dia, ainda sem grandes dores, ou bolhas, começamos a andar bem cedo. Saímos da pousada às 6h. Para mal dos meus pecados deu-me uma bruta dor de barriga, associada à necessidade urgente de fazer o número 2! E tinha de ser já! Eu detesto usar sanitas desconhecidas, por isso imaginem o meu sofrimento, para ter de me refugiar debaixo da ponte velha de Ponte de Lima...sim, se virem lá um presente, pode ser meu. Por isso, conselho número 2: levem sempre um rolo de papel higiénico (felizmente eu levei). 



Depois desse pequeno percalço, menos principesco da minha parte, continuamos a caminhar, enquanto o sol ia nascendo. Depois de andarmos cerca de uma hora, encontramos um pequeno café, com um ar ligeiramente "hipster", chamado "Pescaria". O sitio incluía uma mini mercearia, café, e uma zona de pesca desportiva. Tudo recentemente restaurado e muito limpinho e organizado. Aproveitamos para comprar frutos secos e milho torrado, que nos deu combustível nas horas de maior aflição. Estava lá o único grupo de portugueses que íamos ver até à última etapa do caminho. Não sei se eles conseguiram acabar. Um dos membros do grupo já levava 3 bolhas num dos pés e ainda estava no segundo dia!


Depois de muita zona de arvoredo chegamos à maldita subida. Foi dura, mas a sensação de conseguir chegar ao topo compensa! A descida foi ligeiramente mais penosa. O nosso corpo já ansiava por um sitio para parar e beber algo fresco. Cafés e sanck-bares não abundam no caminho português, por isso quando encontrarem algo que sirva, não sejam esquisitos e aproveitem. 

Quando faltavam aproximadamente 4 km para Valença passamos pela Quinta do Caminho, que anunciava menu peregrino a 8€. Estávamos com fome e resolvemos parar. Não me lembro exactamente o que era a comida de tão cansada que estava, mas era boa e foi a última refeição decente que comemos antes de Pontevedra. O local também funcionava como hotel e resolvemos alugar um quarto duplo. Este foi o local mais caro dos 6 dias (34€/pessoa, com pequeno almoço incluído), mas também foi o melhor e mais confortável. Tinha piscina, onde estivemos a refrescar as pernas e servia também jantar com novo menu peregrino (além disso o carimbo deles é muita giro). Recomendo! 


No dia seguinte estávamos prontos para uma nova e demorada etapa, para mim a pior de todas.

To be continued...

domingo, 16 de julho de 2017

Dia 1 Seguindo as setas amarelas: Barcelos - Ponte de Lima

Há 7 anos atrás entrei no curso de Medicina Veterinária. O meu pai tinha ido a S.Tiago de Compostela de bicicleta e tinha acendido uma vela por mim. Se foi a vela, se foi o meu esforço, ou se foi um misto das duas coisas, não sei. O que é certo é que nesse ano consegui entrar no curso, coisa que era altamente improvável (afinal de contas eu vinha de Artes...). Mais tarde descobri também que o S.Tiago é o padroeiro dos veterinários. Quem sabe... 



Não sou religiosa. Fui criada numa família de origem católica, onde o Natal é celebrado, e onde todos estamos baptizados, mas mais por "parecer bem" e ser costume do que propriamente por acreditarmos num ser superior e omnipresente, que nos castiga por maus comportamentos. Tenho a minha fé. Acredito que a força de vontade pode mover montanhas e que os pensamentos positivos atraem coisas boas (e vice-versa). Gosto de pensar que algures lá nas estrelas estão aqueles que já partiram (de duas e quatro patas) a olhar por nós, mas sei que a probabilidade de isso ser mesmo assim é praticamente nula. Ainda assim, não tem mal imaginar, se isso nos faz sentir melhor. 


Por estas razões e por outras que não vale a pena invocar, pareceu-me certo ir a S.Tiago de Compostela a pé. Além disso, ia ser uma aventura e eu gosto de me aventurar. 

Fui com o meu pai e pedi ao meu namorado para não vir connosco. Não porque não goste dele, e não o quisesse ao meu lado, mas antes porque aquilo era algo que eu sabia que ia doer, transformando-me naquela Luísa insuportável que começa a disparatar por tudo e por nada. A verdade é que durante os 6 dias da viagem, não houve uma única vez que me tivesse stressado, ou chateado. E acreditem...chega a um ponto que é possível que isso aconteça. O meu primeiro conselho é: escolham bem, quem levam com vocês na vossa primeira ida a S.Tiago a pé.

Saímos ás 6:30h da manhã de Domingo, da cidade de Barcelos. O destino era Ponte de Lima. Já tínhamos a nossa credencial de peregrino, obtida umas semanas antes em S.Pedro de Rates, mochila devidamente carregada com saco cama, mudas de roupa (velha e descartável), água e pomadas de vários tipos e com diferentes propósitos. Até gelo instantâneo levávamos, uma vez que os joelhos fracos fazem parte da genética familiar. 

As duas primeiras etapas são das mais bonitas. A região minhota sempre foi uma das minhas predilectas. Os campos de milho a perder de vista, as zonas de arvoredo, os regatos, as casas rústicas, as pessoas afáveis e a boa comida e bebida, fazem-me sempre sentir em casa. É das zonas que mais amo em Portugal. 



Fomos sendo saudados por quem passávamos, havendo sempre quem desejasse "Bom caminho" e que "S.Tiago vos ajude". Começamos a ver os primeiros grupos de peregrinos. Alguns (aqueles que vinham do Porto), já ligeiramente entorpecidos pelo acto de andar continuamente. 

Rapidamente chegamos a Ponte de Lima (eram 13:30h). O plano inicial era ficarmos no Albergue, mas optamos pela Pousada da Juventude. Pedimos um quarto duplo com WC e fomos informados que para os peregrinos havia pequeno almoço dado pelo segurança numa saquinha, quando quiséssemos sair na madrugada seguinte. Pagamos 15 euros cada um, o que nos pareceu excelente, dadas as condições. 



Para matarmos tempo fomos até à "vila mais antiga de Portugal", onde por coincidência estava a decorrer a Feira do Cavalo, uma feira de velharias e um festival de musica clássica. Aquela gente não brinca em serviço! Ponte de Lima é das vilas mais bonitas do nosso país e recomendo que a visitem, caso ainda não o tenham feito. 

Depois de comermos qualquer coisa num snack-bar, voltamos para a Pousada, onde dormimos nada menos do que 9 horas seguidas! No dia seguinte acordamos ás 5:30h...mas isso fica para um outro post...

To be continued...

sábado, 15 de julho de 2017

"Julie e Julia" de Julie Powell

Tinha algumas expectativas em relação a este livro. A culinária tem um grande potencial, para criar quadros literários que fazem crescer água na boca e povoar a nossa mente com imagens deliciosas. O problema é que este livro não é nenhum festim para a mente...

Julie é uma secretária frustrada com o seu emprego. Decide criar um blog, onde irá relatar as suas aventuras culinárias, onde tenta mimetizar as 500 e tal receitas da bíblia da cozinha francesa, escrita pela lendária cozinheira Julia Child. 

Esperava ter capítulos alternados, fazendo um paralelismo entre Julie e Julia. No entanto, há só algumas pequenas passagens referentes a Julia Child. Na minha opinião, muito poucas, o que torna a sua presença pouco notada. 

Quem escreve blogs (e contra mim falo), é sempre um pouquinho egocêntrico naquilo que escreve, mas Julia consegue ser insuportável. Salvo algumas passagens cómicas, a maior parte do livro não tem assunto. Anda sempre à volta dos ataques de histeria desta mulher, da santa paciência do seu marido e da badalhoquice que caracteriza a casa deste casal.

E é por isto que gosto de escrever críticas negativas. São o melhor tipo de opinião, porque não é preciso andar com grandes floreados e adjectivos repetitivos. Quando um livro é mau, é mau e ponto. Este livro não é bom e recomendo, que não percam tempo com ele. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Diário da (pseudo) Princesa #4

Contextualização desta crónica semanal - AQUI


Dia 13 de Agosto de 2002

Hoje levei a minha primeira tampa via internet. Foi o curtido150. Grande coisa...

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------

*Facepalm*

Curtido150 da Cidade da Malta. Se estiveres desse lado acusa-te. Deixaste marcas profundas no coração desta mulher de 27 anos!

Já agora, e desculpando o meu narcisismo... o meu eu pré-adolescente parecia estar convencido que esta seria a primeira de muitas tampas via internet. No fundo eu era uma visionária e sabia desde cedo acerca do futuro sucesso do Tinder e afins...hmmm...

domingo, 2 de julho de 2017

Uma aventura pela costa da Galiza - parte II

O nosso segundo dia de férias na Galiza foi passado na Illa de Ons. Esta ilha, pertencente ao arquipélago homónimo, faz parte do Parque Nacional Marítimo Terrestre das Ilhas Atlânticas da Galiza. Talvez já tenham ouvido falar das ilhas Ciés. A Illa de Ons é a irmã menos famosa do grupo. 

Para chegarmos à ilha, fizemos a compra online dos bilhetes do barco, na empresa Cruceros Rías Baixas. Desta forma poupamos alguns euros e planeamos a partida e chegada sem stresses. A saída seria da vila de Porto Novo, às 10 horas da manhã e o regresso às 17h. Apenas foi necessário chegar um pouquinho mais cedo para levantar os bilhetes no quiosque. 

Durante a travessia marítima tivemos a honra de ser acompanhados por um grupo de golfinhos! Toda a gente delirou e eu senti-me super feliz por apenas ter de pagar 12 euros ,para ser surpreendida desta forma (na Madeira tive de pagar 25 euros, para ver estes animais espectaculares...).

Nas nossas mochilas levávamos apenas o essencial: umas sandes, snacks, água, protector solar, e toalhas. Na minha inocência achei que íamos para uma ilha deserta, mas a verdade é que existem pelo menos três pequenos snack-bares próximos da zona de desembarque, um posto de informação e outro de primeiros socorros, uma igreja (chegamos a presenciar um baptizado) e algumas pequenas habitações. Por isso, se vos apetecer, podem almoçar/petiscar por lá e não tem de ir prevenidos com muita comida. 



Depois de arranjarmos um mapa, verificamos que existiam 4 roteiros pedestres. Optamos por fazer o Roteiro Sul (verde). Ficamos intrigados com o que seria o "Miradouro de Fedorentos" e o "Buraco do Inferno". O primeiro, como o nome indica, é um miradouro (dah), que vale a pena visitar pela vista para a Illa de Onza. O segundo ponto não me deixou impressionada. Basicamente era uma formação rochosa, que não se conseguia perceber muito bem por causa das barreiras de segurança. 

Depois de concluirmos o percurso e de visitarmos os "aseos" de um dos cafés (consumindo, para não sermos rudes), fomos até à Praia de Melide. São cerca de 20 minutos a pé desde o posto de informação, mas vale a pena. Graças à falta de acesso "fácil" tem menos gente e a água é super transparente e de temperatura amena. Outro factor que também deve contribuir para o isolamento do local é o facto de esta ser uma praia de nudismo. Nós mantivemos a nossa roupa de banhos (porque não achamos assim tão fundamental mostrar a salada a toda a gente...). Ainda tive esperança de ver alguma coisa de jeito, mas era tudo velho e murcho. Fiquei com mais recordações de visões do inferno do que propriamente inspiradoras. Apesar de tudo, é fácil ignorar as pessoas nuas, porque existem muitas outras vestidas (excepto, quando decidem correr nus por todo o areal...).



Estivemos duas horinhas de papo para o ar, torrando na praia e não fazendo nada. O regresso foi calmo e por volta das 19H já estávamos no Hotel. Se o vosso estilo de férias é mais do que praia e sol, passar um dia nestas ilhas (também há viagens até às Ciés e Sálvora), é uma boa opção para algo mais diversificado!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

"Dança, Dança, Dança" - Haruki Murakami

"Dança, Dança, Dança" de Haruki Murakami, dá continuidade à narrativa iniciada no livro "Em Busca do Carneiro Selvagem". No entanto, não é de todo obrigatório que leiam o volume anterior, uma vez que salvo pequenas referências, trata-se de uma história com o mesmo protagonista, mas com um enredo completamente diferente, ainda que pouco definido. 

Como em todos os livros de Murakami, o protagonista segue o estereotipo: meia idade, divorciado, solitário e sem grandes objectivos na vida. É um protagonista sem nome. Mas para o caso não tem importância e embora não haja uma grande e complexa trama, este livro conseguiu prender-me, como acontece com todos os livros deste autor. 

Neste "Dança, Dança, Dança" a mensagem é clara: devemos continuar a viver, ou a "dançar" (o melhor que conseguirmos), porque esta é a nossa vida e não vale a pena lutar contra aquilo que se vai desenrolando. As pessoas vão desaparecer e isso é algo inevitável. Há que aproveitar enquanto cá estão. Uma espécie de Carpe Diem a la Murakami.

Até hoje ainda não consigo exprimir por palavras o que é que torna Haruki Murakami tão especial. Há sempre uma sensação reconfortante de compreensão mutua entre mim e as personagens centrais, como se aquele livro tivesse sido escrito especificamente para me ajudar a compreender aquilo que sou/sinto. Sensações que eu não consigo expressar, são expressas por Murakami com uma facilidade espantosa. Talvez seja isso...






quarta-feira, 28 de junho de 2017

Diário da (pseudo)Princesa #3

Contextualização desta crónica semanal - AQUI


Dia 9 de Agosto de 2002 

Já regressei a casa e tou a ouvir a banda sonora dum filme sobre um ataque japonês a uma base dos EUA no havai. Acho que se escreve assim: PERLD HERLD (acho)

Melhores filmes de todos os tempos:

- Moulin Rouge (tá tudo mal escrito, mas que se lixe)
- Perld Herld

Dizem que vai cair um asteróide na Terra dia 1 de Febereiro de 2019. Dizem que vai cair na Alemanha, mas Portugal não vai ser atingido...só descobriram o asteróide à cerca de 17 dias e já sabem isto tudo...francamente...Mas se querem saber: "mais vale prevenir que remediar" lol (risos). Vou fazer o desenho do esconderijo da minha família debaixo da terra (visto na vertical):



Xau!

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Bem, eu não sei como é que eu conseguia passar a Português...e já agora a Inglês também! Perld herld?! Pearl Harbor! E não! Esses filmes não são os melhores de todos os tempos! 

Também adorei ver a minha capacidade para prevenir...fazer um desenho de um esconderijo é algo que realmente pode prevenir e impedir que alguma coisa aconteça.

Para a semana haverá mais devaneios de uma pré-adolescente anti-social! 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Uma aventura pela costa da Galiza - parte I

No dia 24 de Junho é feriado em Guimarães. Não é feriado por ser o São João, mas sim porque se comemora a vitória de D.Afonso Henriques na batalha de São Mamede. Como tal, aproveitamos para usufruir de um fim-de-semana prolongado (Sexta-Segunda) e na falta de grande orçamento, optamos por ir para a Costa da Galiza, em Espanha, mais precisamente para O Grove e Sanxenxo. 

Para quem mora no Norte de Portugal, a Galiza é um destino bastante atractivo. É relativamente próximo, tem o movimento do Algarve, praias de areia fina e para os mais anti-sociais, existem zonas de enorme sossego e privacidade. 



O nosso local de estadia chamava-se "Hotel Abeiras" e estava pontuado como 4*. Não é impressionante, para um local de 4*, mas fica bem localizado, entre Sanxenxo e o O Grove. O pequeno-almoço era bastante completo. Apenas alguns detalhes do quarto deixavam algo a desejar, como o facto do mini-bar não estar a funcionar. Isto fez com que andássemos 4 dias a almoçar pães de leite e pão com paté de atum e batatas fritas. Nem uma alfacezita, ou uma água fresca dava para ter. A vista para a estrada também não era muito agradável, mas lá está...não se pode ter tudo.



No primeiro dia exploramos a Illa da Toja (que não tem nada de especial, para além de casas de ricos e hotéis), a pequena vila O Grove e os arredores da península. Passamos parte da tarde de papo para o ar numa praia praticamente deserta e com água transparente (Praia da Meixilloeira). Como somos duas almas imparáveis (ahah!), cedo decidimos deixar a praia e acabar de contornar a península de carro, passando por mais algumas praias isoladas e indo ter a San Vicente do Grove, onde ficamos intrigados pela praia para cães que encontramos. 



Algo que achei espantosa foi a qualidade da água em todas as zonas que estivemos. Conseguia-se ver vida naquelas águas. Era toda de uma transparência invejável e admirável. Como é que estes locais estão tão perto do nosso país e as nossas praias portuguesas nem de perto tem aquela qualidade de água. Talvez tenha a ver com a turbulência e quantidade de ondulação que fustiga a nossa costa...não sei, mas a verdade é que cheguei a ver voluntários que num domingo de manhã rondavam as praias a recolher o pouco lixo que a maré trazia, ou que os seres humanos deixavam para trás. Em Portugal estamos a ziliões de anos luz disso acontecer com regularidade (corrijam-me se estiver enganada).



A única parte mais complicada das nossas mini-férias foi atinar com os horários malucos dos espanhóis! Eles almoçam e jantam super tarde! E depois é só tapas, tapas, tapas. Se quiserem comer refeições com começo, meio e fim, devem optar pelos restaurantes com menu! E não caiam no nosso erro de achar que o menu ia ser pouco...porque é sempre imensa comida!! Falarei mais acerca dos restaurantes num próximo post...

Entretanto...

Cometemos dois erros para os quais gostava de vos alertar:

1) Não atestem o depósito em Portugal. Passada a fronteira, o combustível é cerca de 15  a 20 cêntimos mais barato/litro. Foi uma burrice que fizemos sem pensar, com a pressa de ir de férias.

2) Evitem as portagens em Espanha. São caras e a maioria das estradas nacionais tem pouco movimento e estão em bom estado. No regresso optamos pelas nacionais espanholas e só entramos na auto-estrada em Portugal. Demoramos praticamente o mesmo tempo e a nossa carteira agradeceu. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

"A Bela e o Monstro" (2017) - Bill Condon

Finalmente arranjei um tempinho para ver o live-action do clássico de animação "A Bela e o Monstro". 

Gosto muito da Hermione...ups! Da Emma Watson, não só pelo seu trabalho enquanto activista, mas também como actriz. Recentemente vi o "Colonia" e recomendo, para quem se interessar pela história ditatorial do Chile. 

A personagem de Belle, uma rapariga que adora livros e se recusa a viver de acordo com os regras de uma sociedade pouco tolerante, encaixa-lhe como uma luva! 

No filme original de animação a paixão de Belle pelos livros faz com que achemos que ela realmente deve ser mais inteligente que a média. No entanto, acaba simplesmente casada com um príncipe. Não percebemos nunca o porquê, uma vez que eles não tem muito em comum (e aqui há a eterna piada do síndrome de Estocolmo). Nesta versão, nota-se que houve uma preocupação em passar alguma coerência aos diálogos. São as subtis mudanças nas falas que tornam a personagem de Watson realmente independente e a relação com o "monstro" realista e realmente presente. O interesse pela literatura é partilhado e uma história de família semelhante serve para estabelecer alguma forma de ligação emocional entre as duas personagens. 

No entanto, como em todos os filmes, existem coisas que não correm muito bem. Para além do óbvio autotune aplicado (pelo menos) à voz de Emma Watson, o estarem a transformar Lefou, o melhor amigo do vilão Gaston, num palhacinho efeminado, que no final se assume como homossexual parece-me simplesmente demasiado forçado e baseado em estereótipos. Ok, o mundo está cada vez mais tolerante (gosto de pensar) e não interessa a orientação sexual de cada um, mas ao criarem uma personagem gay onde ela supostamente não existia, só para tornar o filme mais "actual", só serve para acentuar ainda mais diferenças, onde elas não deveriam existir. 

Tirando essas pequenas nuances, este é um filme que nos leva de regresso à nossa infância e transforma Belle na feminista assumida, que desde sempre deveria ter sido! 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Pessoas estúpidas e o Facebook

Se calhar sou eu que sou antiquada, mas acho ridículo pessoas que usam o Facebook para tratar de coisas que devem ser faladas pelo telefone/telemóvel/pessoalmente. Principalmente quando essas coisas dizem respeito a animais doentes. 

Exemplo 1: 

"Preciso de saber o vosso horário. É urgente." Enviado as 00:30h.

Expliquei que não estávamos online a toda hora e que urgências só pelo telefone.
-----------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 2:

"Boa noite. Envio mensagem, para que me possam informar. Tenho uma gata com cerca de 2 anos que há 6 dias começou a espirrar e com alguma dificuldade a respirar. Tem corrimento nasal e está mais apática que o normal. O apetite está normal. É possível recomendar alguma medicação, ou tratamento?" 

Obviamente que expliquei educadamente que nao davamos consultas pelo Facebook e que era ilegal receitar coisas sem ver o animal. Claro que no final aquilo que este individuo acéfalo retirou da história, é que os veterinários só querem saber de dinheiro!
--------------------------------------------------------------------------------------------

Exemplo 3: 

"Boa tarde. Queria marcar uma tosquia para amanhã." BLAHBLAHBLAH escrito, marcação feita. 

No dia seguinte o animal não aparece. Ligamos para saber o que se passa. Parece que afinal se enganou no Facebook e não era na nossa clínica que queria marcar -.-''
-------------------------------------------------------------------------------------

Depois isto até dá historias de rir. No momento é só irritante perceber que existe tanta estupidez neste mundo e quanta dela se descobre pelo Facebook.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Mais do mesmo, só que desta vez pior

Ontem, Domingo, tinha planeado acordar tarde e passar a manhã a ler, para terminar finalmente o "Dança, Dança, Dança" do Murakami. Lá fiz o meu pequeno almoço e liguei a tv, para passar os olhos pelas noticias da semana. Qual o meu espanto, quando sou brindada com uma manchete de 57 mortos e outro montão de feridos. Pensei logo que devia ter sido um atentado, numa qualquer cidade europeia. Só que não. Era aqui em Portugal.

Nós portugueses, devemos realmente estar a pagar o karma de toda a porcaria que fizemos desde a época dos descobrimentos até ao final das colónias. O ano estava a correr tão bem! Toda a gente optimista e com a moral no topo! Campeões europeus, o turismo a crescer, défice cada vez mais pequeno, mais emprego, um PR que ia (e vai) a todas...mas claro que há coisas que não mudam só com a força do pensamento positivo...

Todos os anos a tragédia se repete. Este ano os números foram maiores e mais assustadores. Será que é desta que o interesse colectivo ultrapassa o individual? 

Aparecem engenheiros e agrónomos que defendem a necessidade de uma reforma florestal, mas cá para mim, daqui a meia dúzia de semanas, quando já não existir mais testemunhos que causem emoção e o povo já não possa mais com este jornalismo sensacionalista de merda, o assunto morrerá. Para o ano haverá mais. E assim continuará a cultura do imediato e do "já", onde nenhum futuro se planeia #Yolo #quesefodamosoutros.

Ou pode ser que eu esteja simplesmente um bocadinho pessimista. Murakami consegue ter esse efeito sobre uma pessoa. 

De qualquer das formas, e apesar do meu pessimismo, não podemos deixar que se esqueçam daqueles que ficaram sem nada (embora eu não saiba o que aconteceu aos desgraçados dos que sofreram com os fogos na Madeira...). Há várias coisas que podem fazer, desde ligar para o 760 100 100 (doam 0,60€/chamada), ou transferir donativos directamente para a conta da Cáritas "Portugal abraça vítimas dos incêndios' (Caixa Geral de Depósitos) que tem o número 0001 200000 730 e o IBAN PT50 0035 0001 00200000 730 54, ou mesmo doar bens materiais como roupas, calçado e atoalhados, também a essa associação, ou a outras que estejam a pedir.  

sábado, 17 de junho de 2017

Coisas que me fazem deixar de seguir

Comecei a escrever este post em 2013 (quem anda a revisitar os rascunhos antigos??). Por alguma razão a lista ficou por publicar. Na falta de inspiração para melhor, aqui ficam 5 razões que me fazem deixar de seguir, ou não seguir determinado blog:

1) Quando um blog usa imagens desfocadas de livros, ou de outra coisa qualquer. Acho que é uma questão de brio; Blogs sem brio não me atraem;

2) Quando só vemos passatempos e mais passatempos, separados por imagens de livros com apenas a sinopse. Se eu quisesse ver um catálogo, ia ali ao hipermercado buscar um;



3) Música ambiente no blog. Já falei sobre isto. A música é uma coisa pessoal. Enquanto navego na Internet ouço a minha própria música. Além de me enervar a mistura de músicas e o reflexo imediato que tenho é o de fechar a janela. 



4) Abreviaturas estilo conversa de telemóvel. É q ñ é nd nito! 

5) Quando não se passa nada naquele blog durante mais do que um mês. É um bocadinho hipócrita da minha parte, uma vez que eu já estive parada muito tempo. Mas sim. É um dos motivos pelos quais deixo de seguir.