segunda-feira, 17 de julho de 2017

Dia 2 Seguindo as setas amarelas: Ponte de Lima - Valença

Esta é A ETAPA. Afirmo isto no sentido, que é aquela jornada de que toda a gente fala e diz que é do diabo. Na minha opinião, de pessoa que não conseguiu chegar a Valença e acabou por ficar num excelente hotel a 4 km do destino final, discordo. Valença - Redondela é pior! 


Esta etapa é longa e tem uma bruta de uma subida e (consequentemente) descida que desgasta, mas que é compensada pelas paisagens lindas! A longevidade (quase 40km) é que torna tudo mais complicado. A certa altura vê-se a cidade, mas nunca mais se chega e o desespero começa aí. 



Nesse segundo dia, ainda sem grandes dores, ou bolhas, começamos a andar bem cedo. Saímos da pousada às 6h. Para mal dos meus pecados deu-me uma bruta dor de barriga, associada à necessidade urgente de fazer o número 2! E tinha de ser já! Eu detesto usar sanitas desconhecidas, por isso imaginem o meu sofrimento, para ter de me refugiar debaixo da ponte velha de Ponte de Lima...sim, se virem lá um presente, pode ser meu. Por isso, conselho número 2: levem sempre um rolo de papel higiénico (felizmente eu levei). 



Depois desse pequeno percalço, menos principesco da minha parte, continuamos a caminhar, enquanto o sol ia nascendo. Depois de andarmos cerca de uma hora, encontramos um pequeno café, com um ar ligeiramente "hipster", chamado "Pescaria". O sitio incluía uma mini mercearia, café, e uma zona de pesca desportiva. Tudo recentemente restaurado e muito limpinho e organizado. Aproveitamos para comprar frutos secos e milho torrado, que nos deu combustível nas horas de maior aflição. Estava lá o único grupo de portugueses que íamos ver até à última etapa do caminho. Não sei se eles conseguiram acabar. Um dos membros do grupo já levava 3 bolhas num dos pés e ainda estava no segundo dia!


Depois de muita zona de arvoredo chegamos à maldita subida. Foi dura, mas a sensação de conseguir chegar ao topo compensa! A descida foi ligeiramente mais penosa. O nosso corpo já ansiava por um sitio para parar e beber algo fresco. Cafés e sanck-bares não abundam no caminho português, por isso quando encontrarem algo que sirva, não sejam esquisitos e aproveitem. 

Quando faltavam aproximadamente 4 km para Valença passamos pela Quinta do Caminho, que anunciava menu peregrino a 8€. Estávamos com fome e resolvemos parar. Não me lembro exactamente o que era a comida de tão cansada que estava, mas era boa e foi a última refeição decente que comemos antes de Pontevedra. O local também funcionava como hotel e resolvemos alugar um quarto duplo. Este foi o local mais caro dos 6 dias (34€/pessoa, com pequeno almoço incluído), mas também foi o melhor e mais confortável. Tinha piscina, onde estivemos a refrescar as pernas e servia também jantar com novo menu peregrino (além disso o carimbo deles é muita giro). Recomendo! 


No dia seguinte estávamos prontos para uma nova e demorada etapa, para mim a pior de todas.

To be continued...

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